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Complexidade do Paciente na Atenção Domiciliar: ABEMID e NEAD

Enfermeira acompanhando paciente idosa na atenção domiciliar
Enfermeira acompanhando paciente idosa na atencao domiciliar

Complexidade do Paciente

Complexidade do Paciente na Atenção Domiciliar: ABEMID e NEAD

A complexidade define todas as etapas da assistência. Ela decide a modalidade, a carga horária, a composição da equipe, o orçamento, o contrato e a sua defesa em auditoria.

Para gestores, enfermeiros coordenadores, auditoria e equipe comercial de empresas de atenção domiciliar, cooperativas de saúde e franquias.

A dor de quem opera

Dois pacientes com o mesmo diagnóstico, dois custos completamente diferentes

Você já viveu isso. Dois pacientes entram na sua carteira com a mesma sequela de acidente vascular cerebral. Um precisa apenas de fisioterapia semanal. O outro está traqueostomizado, em ventilação mecânica contínua, com nutrição parenteral e lesão por pressão grau IV.

Do ponto de vista clínico, o diagnóstico é o mesmo. Do ponto de vista operacional e financeiro, eles não têm nada em comum. Um consome poucas horas de equipe e quase nenhum insumo. O outro consome vinte e quatro horas de técnico de enfermagem, equipamento, material de alto custo e acompanhamento multiprofissional.

Quando a sua empresa não mede essa diferença com um instrumento padronizado, a consequência não fica no campo teórico. Ela aparece na operação, no caixa e, mais tarde, na mesa de uma auditoria.

01A equipe é dimensionada por percepçãoQuem define as horas é a impressão de quem visitou o paciente, e não um critério técnico reproduzível.
02O orçamento não sustenta as horas pedidasA proposta enviada à operadora pede um volume de assistência que nenhum documento justifica.
03A prorrogação é negadaSem evidência atual, não há como demonstrar que o paciente continua exigindo o mesmo nível de cuidado.
04A glosa chega meses depoisSobre atendimentos que já foram executados e já foram pagos ao profissional. O prejuízo é integral.
05A empresa fica sem defesaEm uma demanda judicial, não há como provar que o plano de cuidados oferecido era o adequado.
06A carteira não é legívelSem classificação registrada, nenhum relatório mostra a distribuição real de complexidade e de custo.

O espaço de interpretação é onde o dinheiro se perde

Toda vez que a complexidade de um paciente fica aberta à interpretação, alguém decide por você. Decide a operadora, que reduz as horas autorizadas. Decide o auditor, que glosa o que não está documentado. Decide o juiz, que julga com base no prontuário que existe, e não no cuidado que foi prestado.

A classificação de complexidade existe exatamente para eliminar esse espaço. Ela transforma a condição clínica do paciente em uma pontuação objetiva, reproduzível por qualquer profissional habilitado e defensável diante de um auditor, de uma operadora ou de um juiz.

Gestora analisando a carteira de pacientes no notebook
A negociação de horas sem instrumento técnico é sempre uma negociação perdida.

Enquanto a complexidade do seu paciente estiver apenas na cabeça de quem o visitou, ela não sustenta orçamento, não sustenta prorrogação e não defende a sua empresa.

O conceito

O que é complexidade na atenção domiciliar

Complexidade é a medida objetiva de quanto aquele paciente depende de tecnologia, de procedimento invasivo e de assistência profissional para se manter em casa com segurança. Ela não descreve a gravidade do diagnóstico. Ela descreve a intensidade de recurso assistencial que o caso exige.

A lógica dos instrumentos usados no setor é direta: quanto maior a dependência de tecnologia e de procedimento invasivo, maior a pontuação, e maior a complexidade.

Cuidadora acompanhando paciente em cadeira de rodas

Dependência de cuidadoPaciente que depende de auxílio para as atividades da vida diária e de reabilitação, sem tecnologia invasiva. A demanda é de presença e de assistência.

Paciente em uso de oxigenoterapia no domicílio

Dependência de tecnologiaEntra o equipamento. Oxigenoterapia, aspiração, terapia nutricional por sonda, curativos complexos. Cada item acrescenta pontuação e muda a qualificação exigida do profissional.

Bomba de infusão em uso na assistência domiciliar

Dependência contínua e invasivaVentilação mecânica contínua, acesso venoso profundo, nutrição parenteral total, diálise domiciliar. É o patamar que exige equipe em tempo integral e estrutura de suporte.

Imagens ilustrativas dos diferentes patamares de dependência assistencial encontrados em uma mesma carteira de pacientes.

Antes de classificar, distinguir a modalidade

O Manual de Atenção Domiciliar, publicado pela Associação Nacional de Hospitais Privados em conjunto com o Núcleo Nacional das Empresas de Serviços de Atenção Domiciliar, estabelece as definições que organizam o setor:

Modalidade Definição
Atenção Domiciliar Termo genérico que envolve ações de promoção à saúde, prevenção, tratamento de doenças e reabilitação desenvolvidas em domicílio.
Assistência Domiciliar Conjunto de atividades de caráter ambulatorial, programadas e continuadas, desenvolvidas em domicílio. Atende o paciente com necessidades pontuais de enfermagem, como curativos e medicações injetáveis.
Internação Domiciliar Conjunto de atividades prestadas no domicílio, caracterizadas pela atenção em tempo integral ao paciente com quadro clínico mais complexo e com necessidade de tecnologia especializada.
Programa multiprofissional Acompanhamento com serviços especializados, como médico, fisioterapeuta, fonoaudiólogo e nutricionista.
Por que isso importa

A classificação de complexidade é justamente o que define em qual dessas modalidades o paciente se enquadra e, dentro da internação domiciliar, quantas horas de enfermagem são indicadas. Classificar não é preencher um formulário. É decidir o desenho assistencial e econômico do caso.

A pergunta que todo gestor faz

Quem define a complexidade do paciente

Na saúde suplementar brasileira, a complexidade do paciente em atenção domiciliar é definida por dois instrumentos técnicos elaborados pelas próprias entidades do setor e amplamente adotados pelo mercado. Eles não são invenção de uma operadora nem de um prestador. São tabelas publicadas, com domínios, pesos e faixas de classificação definidos.

Quem elabora

ABEMID

Associação Brasileira de Empresas de Medicina Domiciliar

Instrumento: Tabela de Avaliação de Complexidade Assistencial.

O que responde: qual é o nível de complexidade assistencial deste paciente.

Como funciona: oito domínios clínicos pontuados. A soma dos pontos classifica o paciente em baixa, média ou alta complexidade, ou o considera não elegível para internação domiciliar.

Quem elabora

NEAD

Núcleo Nacional das Empresas de Serviços de Atenção Domiciliar

Instrumento: Tabela de Avaliação para Planejamento de Atenção Domiciliar.

O que responde: este paciente é elegível para o domicílio e qual plano de atendimento ele exige.

Como funciona: três grupos de critérios, seguidos da classificação do paciente, do escore de Katz e do plano de atendimento domiciliar, com recomendação de modalidade e de carga horária de enfermagem.

A situação regulatória, sem rodeios

A Agência Nacional de Saúde Suplementar não obriga as operadoras a oferecer atenção domiciliar como cobertura obrigatória e não determina qual instrumento de avaliação deve ser utilizado. Conforme o Parecer Técnico nº 05/2021 da ANS, quando a operadora oferece o serviço em contrato, ele passa a ser exigível, e a indicação de internação domiciliar em substituição à internação hospitalar cabe ao médico assistente.

É nesse vazio normativo que ABEMID e NEAD se consolidaram como a linguagem comum entre prestadores, operadoras, auditorias e o Poder Judiciário. Eles aparecem como anexos de editais e de regulamentos de programas de atenção domiciliar, inclusive de órgãos públicos como o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios e o Senado Federal, e são citados em notas técnicas de apoio a decisões judiciais.

A conclusão prática é simples. A sua empresa não deve tratar ABEMID e NEAD como formulários burocráticos. Eles são o instrumento com que a sua empresa negocia, sustenta e defende o cuidado que presta.

Instrumento 1

ABEMID: os oito domínios e as regras que quase ninguém aplica

A ABEMID é uma tabela de pontuação. O avaliador percorre oito domínios clínicos e assinala, em cada um, a condição que corresponde ao paciente. Cada opção tem um peso em pontos. A soma dos pontos define a classificação de complexidade.

A estrutura abaixo é a mesma do formulário Avaliação Abemid disponível no +Vidas.

Suporte Terapêutico
Sonda Vesical Permanente 1
Sonda Vesical Intermitente 2
Traqueostomia sem Aspiração 2
Aspiração de Vias Aéreas Superiores 3
Acesso Venoso Intermitente 4
Traqueostomia com Aspiração 5
Acesso Venoso Profundo Contínuo 5
Acesso Venoso Periférico Contínuo 5
Diálise Domiciliar 5
Suporte Ventilatório
Oxigênio Intermitente 2
Oxigênio Contínuo 3
Ventilação Mecânica Intermitente 4
Ventilação Mecânica Contínua 5
Quimioterapia
Oral 1
Subcutânea 3
Intravenosa 5
Intratecal 5
Terapia Nutricional
Suplementação Oral 1
Gastrostomia 2
Sonda Nasoentérica 3
Jejunoileostomia 3
Nutrição Parenteral Total 5
Lesão Vascular ou Cutânea
Úlcera de Pressão Grau I 2
Úlcera de Pressão Grau II 3
Úlcera de Pressão Grau III 4
Úlcera de Pressão Grau IV 5
Atividade da Vida Diária ligada a Cuidados Técnicos
Independente 0
Semi-Dependente 2
Dependente Total 5
Dependência de Reabilitação
Independente 0
Dependente 2

Fisioterapia, fonoaudiologia e demais especialidades, em sessões diárias.

As faixas de classificação

Inferior a 7 pontosNão elegível para internação domiciliar
De 8 a 12 pontosBaixa complexidade
De 13 a 18 pontosMédia complexidade
Acima de 19 pontosAlta complexidade

As duas regras de migração automática

Aqui está o ponto que costuma passar despercebido por quem aplica o instrumento sem treinamento. A ABEMID possui duas regras que sobrepõem a soma simples dos pontos:

Regra 1Um item com avaliação igual a 5Ao ser enquadrado em um único item de peso 5, o paciente migra automaticamente para média complexidade.
Regra 2Dois ou mais itens iguais a 5Ao ser enquadrado em dois ou mais itens de peso 5, o paciente migra automaticamente para alta complexidade.

Essas migrações ocorrem independentemente dos pontos totais obtidos. Um paciente em ventilação mecânica contínua e com acesso venoso profundo contínuo é de alta complexidade, ainda que a soma dos demais domínios seja baixa.

Quanto essa regra vale na negociação

A regra de migração é o argumento técnico que sustenta a solicitação de vinte e quatro horas de enfermagem para um paciente cuja pontuação total, isoladamente, pareceria indicar menos horas. Quando o avaliador não conhece a regra, a sua empresa perde horas na negociação com a operadora sem perceber que perdeu.

Instrumento 2

NEAD: da elegibilidade do domicílio ao plano de atendimento

O NEAD tem uma proposta mais ampla do que a ABEMID. Ele não apenas pontua a complexidade. Ele conduz o avaliador por uma sequência de decisões que começa na elegibilidade do paciente para o cuidado domiciliar e termina na recomendação do plano de atendimento, com a composição da equipe.

O instrumento é estruturado em três grupos de critérios, seguidos da classificação do paciente, do escore de Katz e do plano de atendimento domiciliar. Essa é exatamente a estrutura do formulário NEAD disponível no +Vidas.

Grupo 1

Elegibilidade

Três perguntas binárias que verificam se o domicílio reúne as condições mínimas para receber o cuidado:

  • O paciente apresenta cuidador em período integral?
  • O domicílio é livre de risco?
  • Existe algum impedimento para se deslocar até a rede credenciada?

A orientação do próprio instrumento é clara: se a resposta for negativa a qualquer uma dessas questões, deve-se considerar contraindicar a atenção domiciliar.

O grupo que protege a sua empresa

O Grupo 1 é o filtro que evita a admissão de um paciente em domicílio inadequado ou sem cuidador. Assumir um paciente nessas condições transfere para a sua empresa um risco assistencial e jurídico que não é dela. O registro formal dessa avaliação, no prontuário, é a prova de que a empresa levantou a questão no momento certo.

Grupo 2

Critérios para indicação imediata de internação domiciliar

Condições que, isoladamente, já justificam a internação domiciliar. Cada item é avaliado em faixas de intensidade:

Critério Faixas avaliadas
Alimentação parenteral Não utiliza / Até 12 horas por dia / Por mais de 12 horas por dia
Aspiração de traqueostomia ou vias aéreas Não utiliza / Até 5 vezes ao dia / Mais de 5 vezes ao dia
Ventilação mecânica contínua, invasiva ou não invasiva Não utiliza / Até 12 horas por dia / Por mais de 12 horas por dia
Medicação parenteral ou hipodermóclise Não utiliza / Até 4 vezes ao dia / Mais de 4 vezes ao dia

A regra de leitura do Grupo 2 está registrada no próprio formulário: para indicação do Planejamento de Atenção Domiciliar, considera-se a maior complexidade assinalada, ainda que assinalada uma única vez.

Grupo 3

Critérios de apoio

Dez domínios pontuados, que compõem a soma utilizada na classificação do paciente:

Domínio 0 ponto 1 ponto 2 pontos 3 pontos
Estado Nutricional Eutrófico Sobrepeso ou emagrecido Obeso ou desnutrido
Alimentação ou medicações por via enteral Sem auxílio Assistida Gastrostomia ou jejunostomia Por SNG ou SNE
Katz (pontuar 2 em pediatria) Independente Dependente parcial Dependente total
Internações no último ano 0 a 1 internação 2 a 3 internações Acima de 3 internações
Aspirações de vias aéreas superiores Ausente Até 5 vezes ao dia Mais de 5 vezes ao dia
Lesões Nenhuma ou lesão única com curativo simples Múltiplas lesões com curativo simples ou lesão única complexa Múltiplas lesões com curativos complexos
Medicações Via enteral Intramuscular ou subcutânea Intravenosa até 4 vezes ao dia ou hipodermóclise
Exercícios ventilatórios Ausente Intermitente
Uso de oxigenoterapia Ausente Intermitente Contínuo
Nível de consciência Alerta Confuso ou desorientado Comatoso

Resultado

Classificação do paciente

Pontuação Recomendação
Até 5 pontos Sem indicação de internação domiciliar. Considerar procedimentos pontuais exclusivos ou outros programas, como curativos ou medicações parenterais.
De 6 a 11 pontos Considerar atendimento domiciliar multiprofissional, incluindo procedimentos pontuais, desde que não exclusivos.
De 12 a 17 pontos Considerar internação domiciliar de 12 horas.
18 ou mais pontos Considerar internação domiciliar de 24 horas.

Escore de Katz

Independência para as atividades básicas da vida diária

O NEAD incorpora o índice de Katz, instrumento internacional de avaliação da independência para as atividades básicas da vida diária. São avaliadas seis atividades, com 1 ponto para independência e 0 ponto para dependência em cada uma:

Higienização e banhar-se
Vestir-se
Uso do banheiro
TransferênciaSentar-se, deitar-se e levantar-se
ContinênciaControle das eliminações
Alimentação

O formulário apresenta a classificação correspondente: de 5 a 6 pontos indica paciente independente, e de 3 a 4 pontos indica dependência parcial.

Fechamento

Plano de Atendimento Domiciliar

A última parte do NEAD converte a avaliação em plano de cuidados. O formulário disponível no +Vidas apresenta a padronização NEAD com a composição de equipe recomendada:

Item do plano O que é registrado
Técnico de enfermagem Técnico 24 horas, Técnico 12 horas, Técnico 6 horas ou Técnico pontual.
Médico, Nutricionista, Enfermeiro, Psicologia, Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia e Acompanhamento Social Para cada especialidade: indicação de sim ou não, quantidade de atendimentos e periodicidade mensal ou semanal.
Descrição das lesões de pele Registro de até seis lesões, com região, estágio, dimensão e grau, além da localização e observações.
Equipamentos necessários Mobiliário, ventilação, monitorização e apoio, e suporte.
Planejamento terapêutico Data, assinatura e carimbo do profissional responsável, e observações.
Comparativo

ABEMID e NEAD lado a lado

Os dois instrumentos não competem entre si. Eles respondem a perguntas diferentes e, em muitas operadoras, são exigidos em conjunto.

Aspecto ABEMID NEAD
Pergunta central Qual é o nível de complexidade assistencial deste paciente? Este paciente é elegível para o domicílio e qual plano de atendimento ele exige?
Estrutura Oito domínios clínicos pontuados. Três grupos de critérios, mais Katz e plano de atendimento.
Avalia elegibilidade do domicílio Não. Sim, no Grupo 1, incluindo cuidador e segurança do domicílio.
Resultado Não elegível, baixa, média ou alta complexidade. Sem indicação, atendimento multiprofissional, internação domiciliar de 12 horas ou de 24 horas.
Regra especial Migração automática por scores 5. Prevalece a maior complexidade assinalada no Grupo 2.
Define composição de equipe Não diretamente. Sim, no Plano de Atendimento Domiciliar.
A recomendação prática

Na prática, a ABEMID costuma ser o instrumento de classificação e de precificação, e o NEAD o instrumento de planejamento assistencial. Aplique o instrumento exigido pela operadora contratante e, quando não houver exigência formal, aplique os dois, porque cada um documenta uma dimensão distinta do caso.

Do registro ao documento

O que a sua empresa ganha com a avaliação dentro do sistema

Pontuação automática

No construtor de formulários, cada opção de resposta recebe o seu peso em pontos, e o formulário pode ser configurado para calcular a pontuação somando os pesos das opções marcadas. Com isso, o escore deixa de ser somado à mão, o que elimina a fonte mais comum de erro na aplicação desses instrumentos.

Situação, aprovação e recusa

O formulário registrado não é um documento passivo. A tela de visualização apresenta as ações Relatório, Aprovar, Recusar e Editar, o que permite que a coordenação ou a auditoria interna valide a avaliação antes que ela seja utilizada em um orçamento ou enviada à operadora. O sistema mantém também o cadastro de Motivos de Recusa de Formulário, de modo que a devolução ao profissional seja registrada com justificativa.

Por que a validação importa

Uma avaliação mal preenchida gera um pedido mal fundamentado. O fluxo de aprovação evita que uma ABEMID com domínio esquecido ou um NEAD sem o Grupo 1 respondido siga para a operadora e volte como negativa ou como glosa.

Versão do formulário e rastreabilidade

Cada formulário possui uma versão publicada. Alterações feitas no construtor viram rascunho, e quem preenche continua vendo a versão publicada até que a nova seja publicada. O registro do paciente guarda a versão utilizada no momento do preenchimento, o que garante que uma avaliação feita hoje continue legível e defensável mesmo depois de o formulário ser revisado.

Histórico de preenchimentos

Cada formulário possui a visão Histórico de Preenchimentos, que relaciona todos os pacientes avaliados com aquele instrumento, a data, o profissional, a situação, a origem e a pontuação. É a partir dessa tela que a coordenação acompanha a cobertura das avaliações na carteira e identifica quem está sem reavaliação.

O relatório em PDF, que é a peça que vai para a operadora

Na listagem do prontuário, a ação Relatório gera o documento em PDF. É esse o arquivo enviado à operadora, anexado ao orçamento ou apresentado em auditoria. O relatório reúne, em uma única peça documental, a identificação completa do paciente, o convênio, o diagnóstico, todos os domínios do instrumento com a respectiva marcação, o quadro de classificação com as regras de migração, o escore obtido e a identificação do profissional responsável com o número de registro no conselho. Ele sai com a identidade visual da sua empresa.

Abertura do relatório da Avaliação NEAD com identificação completa do paciente
Abertura do relatório da Avaliação NEAD, com a marca da empresa e a identificação completa do paciente, incluindo diagnóstico, convênio e número da carteira.
Encerramento do relatório NEAD com equipamentos, suporte e planejamento terapêutico
Encerramento do relatório do NEAD, com os equipamentos e o suporte indicados e o campo de planejamento terapêutico, data, assinatura e carimbo do profissional responsável.
O documento que sustenta a negociação

Esse é o arquivo que acompanha o orçamento, o pedido de prorrogação e o aditivo. Ele reúne, em uma única peça, a evidência clínica, o critério técnico, o escore, os equipamentos indicados e a responsabilidade profissional identificada pelo registro no conselho. É o que transforma uma solicitação de horas em um pedido tecnicamente fundamentado.

A ligação com o campo Complexidade do cadastro

O cadastro do paciente possui, no bloco Dados para Atendimento, o campo Complexidade, com as opções mantidas pela sua empresa, e o campo Programa Atendimento. Esses campos são a síntese consultável da classificação: eles alimentam a listagem de pacientes, os filtros e os relatórios gerenciais. O formulário ABEMID ou NEAD é a evidência técnica que sustenta o valor registrado nesses campos.

Regra de consistência

Sempre que uma nova avaliação alterar a classificação do paciente, o campo Complexidade do cadastro deve ser atualizado na mesma ocasião. Um paciente cujo formulário indica alta complexidade e cujo cadastro permanece em complexidade média produz relatórios gerenciais que não correspondem à realidade assistencial nem à realidade financeira da carteira.

Processo

Quando aplicar as avaliações

A avaliação de complexidade não é um documento de consulta, preenchido uma vez na entrada do paciente e esquecido no prontuário. Ela é um instrumento de gestão do ciclo de vida do caso.

Enfermeiro realizando avaliação no domicílio com o aplicativo
A primeira avaliação acontece na admissão, normalmente na visita de ambientação ou na visita de avaliação de enfermagem.

Na admissão

A avaliação de admissão cumpre três funções simultâneas: confirma a elegibilidade do paciente e do domicílio, define o nível de complexidade e fundamenta o plano de cuidados que será convertido em orçamento e contrato.

Sem essa avaliação, o orçamento é montado sobre uma percepção, e não sobre um critério. É nesse ponto que a maior parte das glosas e das negativas de autorização tem origem.

Nas reavaliações periódicas

O paciente em atenção domiciliar muda. Uma lesão por pressão cicatriza, uma traqueostomia é decanulada, um paciente estável descompensa. A reavaliação periódica existe para capturar essa mudança e ajustar o cuidado antes que o desajuste vire problema.

A periodicidade deve seguir, em primeiro lugar, o que estiver definido no contrato com a operadora ou no regulamento do programa de atenção domiciliar do contratante. Muitos programas trabalham com ciclos de autorização de até noventa dias, prorrogáveis mediante apresentação de novo relatório. Na ausência de definição contratual, a sua empresa deve estabelecer a própria periodicidade em protocolo interno e cumpri-la.

Momento Objetivo da avaliação
Admissão Confirmar elegibilidade, classificar a complexidade e fundamentar o plano de cuidados inicial.
Reavaliação periódica Verificar se a complexidade se manteve, aumentou ou reduziu, e ajustar o plano de cuidados.
Mudança relevante do quadro clínico Documentar a alteração que justifica aumento ou redução de horas e de serviços.
Retorno de internação hospitalar Reclassificar o paciente, que frequentemente retorna em nível de complexidade diferente.
Prorrogação ou aditivo Sustentar tecnicamente a continuidade ou a ampliação do atendimento perante a operadora.

Na prorrogação e no aditivo, onde o impacto financeiro é direto

Quando a sua empresa solicita a prorrogação do atendimento ou um aditivo ao contrato, a avaliação atualizada é o documento que sustenta o pedido. Ela demonstra, com pontuação e critério técnico, que o paciente continua exigindo o nível de cuidado contratado, ou que passou a exigir um nível superior.

A avaliação desatualizada enfraquece a sua posição em duas frentes. Diante da operadora, o pedido de prorrogação sem evidência atual é facilmente negado ou reduzido. Diante de uma auditoria retroativa, a ausência de reavaliação no período é o argumento usado para glosar atendimentos já executados e já pagos aos profissionais.

O ciclo completo da avaliação de complexidade

1. AVALIAÇÃOEnfermeiro preenche ABEMIDe NEAD pelo +Vidas Care2. VALIDAÇÃOCoordenação aprova ou recusacom motivo registrado3. CLASSIFICAÇÃOCampos Complexidade ePrograma Atendimento4. PLANOPlano indicado na avaliaçãovira o plano do paciente5. NEGOCIAÇÃOOrçamento, contrato elimites da escala6. REAVALIAÇÃONa periodicidade definida,o ciclo recomeça7. PRORROGAÇÃOAvaliação vigente em PDFanexada ao pedidoNova avaliação reinicia o ciclo

Por que priorizar

A avaliação de complexidade atua em quatro dimensões ao mesmo tempo

AssistencialGarante que o paciente receba a quantidade e a qualificação de profissional compatíveis com o quadro. Classificar abaixo do real é risco de segurança. Classificar acima consome recurso que faltará em outro caso.

Contratual e financeiraA pontuação é o argumento técnico da negociação. É a diferença entre pedir doze horas de técnico e demonstrar, com instrumento reconhecido pelo mercado, que o paciente se enquadra na faixa que indica doze horas.

Jurídica e de auditoriaO prontuário é prova documental. A avaliação preenchida, assinada, datada e rastreável demonstra que a conduta seguiu critério técnico. A ausência dela deixa a empresa sem defesa, mesmo quando o cuidado prestado foi correto.

De gestãoCom as avaliações registradas, a empresa enxerga a carteira por complexidade, acompanha a evolução dos pacientes e identifica padrões, como pacientes que aumentam de complexidade sem aumento correspondente de receita.

A avaliação de complexidade é, ao mesmo tempo, o instrumento que protege o paciente, o documento que sustenta a receita e a prova que defende a empresa. Nenhuma dessas três funções é cumprida por uma avaliação desatualizada, incompleta ou arquivada fora do prontuário.

Boas práticas

Erros que custam caro, e o que fazer no lugar

Erro comum Consequência Prática recomendada
Avaliar apenas na admissão e nunca mais Prorrogação negada e glosa retroativa por ausência de evidência atual. Definir periodicidade em protocolo interno e acompanhar o cumprimento pelo Histórico de Preenchimentos.
Preencher em papel e transcrever depois Perda de informação, atraso e divergência entre o papel e o sistema. Preencher pelo +Vidas Care no domicílio, com registro imediato no prontuário.
Desconhecer as regras de migração da ABEMID Paciente classificado abaixo do nível real e horas perdidas na negociação. Treinar os avaliadores nas duas regras de migração por score 5.
Deixar o Grupo 1 do NEAD em branco Admissão de paciente em domicílio inadequado ou sem cuidador, com risco assistencial e jurídico. Tratar o Grupo 1 como condição de admissão, com registro formal da resposta.
Campo Complexidade do cadastro divergente da avaliação Relatórios gerenciais e filtros que não refletem a carteira real. Atualizar o cadastro na mesma ocasião em que a avaliação é validada.
Avaliação não validada pela coordenação Pedido mal fundamentado enviado à operadora. Usar o fluxo de aprovação e recusa, com motivo registrado.

Referências

  • Manual de Atenção Domiciliar, publicado pela Associação Nacional de Hospitais Privados em conjunto com o Núcleo Nacional das Empresas de Serviços de Atenção Domiciliar.
  • Tabela de Avaliação de Complexidade Assistencial ABEMID e Tabela de Avaliação para Planejamento de Atenção Domiciliar NEAD, conforme anexos publicados por programas de atenção domiciliar e por órgãos públicos, entre eles o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios e o Senado Federal.
  • Parecer Técnico nº 05/2021 da Agência Nacional de Saúde Suplementar, sobre atenção domiciliar na saúde suplementar.
  • Base de Conhecimento Hope Solution: artigos Avaliações e Formulários Personalizados.
  • Formulários Avaliação Abemid e NEAD publicados na base de demonstração do +Vidas, versão 5.5.0.
+Vidas Care · Formulários Personalizados

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