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Complexidade do Paciente na Atenção Domiciliar: ABEMID e NEAD
Complexidade do Paciente na Atenção Domiciliar: ABEMID e NEAD
A complexidade define todas as etapas da assistência. Ela decide a modalidade, a carga horária, a composição da equipe, o orçamento, o contrato e a sua defesa em auditoria.
Para gestores, enfermeiros coordenadores, auditoria e equipe comercial de empresas de atenção domiciliar, cooperativas de saúde e franquias.
Dois pacientes com o mesmo diagnóstico, dois custos completamente diferentes
Você já viveu isso. Dois pacientes entram na sua carteira com a mesma sequela de acidente vascular cerebral. Um precisa apenas de fisioterapia semanal. O outro está traqueostomizado, em ventilação mecânica contínua, com nutrição parenteral e lesão por pressão grau IV.
Do ponto de vista clínico, o diagnóstico é o mesmo. Do ponto de vista operacional e financeiro, eles não têm nada em comum. Um consome poucas horas de equipe e quase nenhum insumo. O outro consome vinte e quatro horas de técnico de enfermagem, equipamento, material de alto custo e acompanhamento multiprofissional.
Quando a sua empresa não mede essa diferença com um instrumento padronizado, a consequência não fica no campo teórico. Ela aparece na operação, no caixa e, mais tarde, na mesa de uma auditoria.
O espaço de interpretação é onde o dinheiro se perde
Toda vez que a complexidade de um paciente fica aberta à interpretação, alguém decide por você. Decide a operadora, que reduz as horas autorizadas. Decide o auditor, que glosa o que não está documentado. Decide o juiz, que julga com base no prontuário que existe, e não no cuidado que foi prestado.
A classificação de complexidade existe exatamente para eliminar esse espaço. Ela transforma a condição clínica do paciente em uma pontuação objetiva, reproduzível por qualquer profissional habilitado e defensável diante de um auditor, de uma operadora ou de um juiz.

Enquanto a complexidade do seu paciente estiver apenas na cabeça de quem o visitou, ela não sustenta orçamento, não sustenta prorrogação e não defende a sua empresa.
O que é complexidade na atenção domiciliar
Complexidade é a medida objetiva de quanto aquele paciente depende de tecnologia, de procedimento invasivo e de assistência profissional para se manter em casa com segurança. Ela não descreve a gravidade do diagnóstico. Ela descreve a intensidade de recurso assistencial que o caso exige.
A lógica dos instrumentos usados no setor é direta: quanto maior a dependência de tecnologia e de procedimento invasivo, maior a pontuação, e maior a complexidade.



Imagens ilustrativas dos diferentes patamares de dependência assistencial encontrados em uma mesma carteira de pacientes.
Antes de classificar, distinguir a modalidade
O Manual de Atenção Domiciliar, publicado pela Associação Nacional de Hospitais Privados em conjunto com o Núcleo Nacional das Empresas de Serviços de Atenção Domiciliar, estabelece as definições que organizam o setor:
| Modalidade | Definição |
|---|---|
| Atenção Domiciliar | Termo genérico que envolve ações de promoção à saúde, prevenção, tratamento de doenças e reabilitação desenvolvidas em domicílio. |
| Assistência Domiciliar | Conjunto de atividades de caráter ambulatorial, programadas e continuadas, desenvolvidas em domicílio. Atende o paciente com necessidades pontuais de enfermagem, como curativos e medicações injetáveis. |
| Internação Domiciliar | Conjunto de atividades prestadas no domicílio, caracterizadas pela atenção em tempo integral ao paciente com quadro clínico mais complexo e com necessidade de tecnologia especializada. |
| Programa multiprofissional | Acompanhamento com serviços especializados, como médico, fisioterapeuta, fonoaudiólogo e nutricionista. |
A classificação de complexidade é justamente o que define em qual dessas modalidades o paciente se enquadra e, dentro da internação domiciliar, quantas horas de enfermagem são indicadas. Classificar não é preencher um formulário. É decidir o desenho assistencial e econômico do caso.
Quem define a complexidade do paciente
Na saúde suplementar brasileira, a complexidade do paciente em atenção domiciliar é definida por dois instrumentos técnicos elaborados pelas próprias entidades do setor e amplamente adotados pelo mercado. Eles não são invenção de uma operadora nem de um prestador. São tabelas publicadas, com domínios, pesos e faixas de classificação definidos.
ABEMID
Associação Brasileira de Empresas de Medicina Domiciliar
Instrumento: Tabela de Avaliação de Complexidade Assistencial.
O que responde: qual é o nível de complexidade assistencial deste paciente.
Como funciona: oito domínios clínicos pontuados. A soma dos pontos classifica o paciente em baixa, média ou alta complexidade, ou o considera não elegível para internação domiciliar.
NEAD
Núcleo Nacional das Empresas de Serviços de Atenção Domiciliar
Instrumento: Tabela de Avaliação para Planejamento de Atenção Domiciliar.
O que responde: este paciente é elegível para o domicílio e qual plano de atendimento ele exige.
Como funciona: três grupos de critérios, seguidos da classificação do paciente, do escore de Katz e do plano de atendimento domiciliar, com recomendação de modalidade e de carga horária de enfermagem.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar não obriga as operadoras a oferecer atenção domiciliar como cobertura obrigatória e não determina qual instrumento de avaliação deve ser utilizado. Conforme o Parecer Técnico nº 05/2021 da ANS, quando a operadora oferece o serviço em contrato, ele passa a ser exigível, e a indicação de internação domiciliar em substituição à internação hospitalar cabe ao médico assistente.
É nesse vazio normativo que ABEMID e NEAD se consolidaram como a linguagem comum entre prestadores, operadoras, auditorias e o Poder Judiciário. Eles aparecem como anexos de editais e de regulamentos de programas de atenção domiciliar, inclusive de órgãos públicos como o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios e o Senado Federal, e são citados em notas técnicas de apoio a decisões judiciais.
A conclusão prática é simples. A sua empresa não deve tratar ABEMID e NEAD como formulários burocráticos. Eles são o instrumento com que a sua empresa negocia, sustenta e defende o cuidado que presta.
ABEMID: os oito domínios e as regras que quase ninguém aplica
A ABEMID é uma tabela de pontuação. O avaliador percorre oito domínios clínicos e assinala, em cada um, a condição que corresponde ao paciente. Cada opção tem um peso em pontos. A soma dos pontos define a classificação de complexidade.
A estrutura abaixo é a mesma do formulário Avaliação Abemid disponível no +Vidas.
| Sonda Vesical Permanente | 1 |
| Sonda Vesical Intermitente | 2 |
| Traqueostomia sem Aspiração | 2 |
| Aspiração de Vias Aéreas Superiores | 3 |
| Acesso Venoso Intermitente | 4 |
| Traqueostomia com Aspiração | 5 |
| Acesso Venoso Profundo Contínuo | 5 |
| Acesso Venoso Periférico Contínuo | 5 |
| Diálise Domiciliar | 5 |
| Oxigênio Intermitente | 2 |
| Oxigênio Contínuo | 3 |
| Ventilação Mecânica Intermitente | 4 |
| Ventilação Mecânica Contínua | 5 |
| Oral | 1 |
| Subcutânea | 3 |
| Intravenosa | 5 |
| Intratecal | 5 |
| Suplementação Oral | 1 |
| Gastrostomia | 2 |
| Sonda Nasoentérica | 3 |
| Jejunoileostomia | 3 |
| Nutrição Parenteral Total | 5 |
| Úlcera de Pressão Grau I | 2 |
| Úlcera de Pressão Grau II | 3 |
| Úlcera de Pressão Grau III | 4 |
| Úlcera de Pressão Grau IV | 5 |
| Independente | 0 |
| Semi-Dependente | 2 |
| Dependente Total | 5 |
| Independente | 0 |
| Dependente | 2 |
Fisioterapia, fonoaudiologia e demais especialidades, em sessões diárias.
As faixas de classificação
As duas regras de migração automática
Aqui está o ponto que costuma passar despercebido por quem aplica o instrumento sem treinamento. A ABEMID possui duas regras que sobrepõem a soma simples dos pontos:
Essas migrações ocorrem independentemente dos pontos totais obtidos. Um paciente em ventilação mecânica contínua e com acesso venoso profundo contínuo é de alta complexidade, ainda que a soma dos demais domínios seja baixa.
A regra de migração é o argumento técnico que sustenta a solicitação de vinte e quatro horas de enfermagem para um paciente cuja pontuação total, isoladamente, pareceria indicar menos horas. Quando o avaliador não conhece a regra, a sua empresa perde horas na negociação com a operadora sem perceber que perdeu.
NEAD: da elegibilidade do domicílio ao plano de atendimento
O NEAD tem uma proposta mais ampla do que a ABEMID. Ele não apenas pontua a complexidade. Ele conduz o avaliador por uma sequência de decisões que começa na elegibilidade do paciente para o cuidado domiciliar e termina na recomendação do plano de atendimento, com a composição da equipe.
O instrumento é estruturado em três grupos de critérios, seguidos da classificação do paciente, do escore de Katz e do plano de atendimento domiciliar. Essa é exatamente a estrutura do formulário NEAD disponível no +Vidas.
Elegibilidade
Três perguntas binárias que verificam se o domicílio reúne as condições mínimas para receber o cuidado:
- O paciente apresenta cuidador em período integral?
- O domicílio é livre de risco?
- Existe algum impedimento para se deslocar até a rede credenciada?
A orientação do próprio instrumento é clara: se a resposta for negativa a qualquer uma dessas questões, deve-se considerar contraindicar a atenção domiciliar.
O Grupo 1 é o filtro que evita a admissão de um paciente em domicílio inadequado ou sem cuidador. Assumir um paciente nessas condições transfere para a sua empresa um risco assistencial e jurídico que não é dela. O registro formal dessa avaliação, no prontuário, é a prova de que a empresa levantou a questão no momento certo.
Critérios para indicação imediata de internação domiciliar
Condições que, isoladamente, já justificam a internação domiciliar. Cada item é avaliado em faixas de intensidade:
| Critério | Faixas avaliadas |
|---|---|
| Alimentação parenteral | Não utiliza / Até 12 horas por dia / Por mais de 12 horas por dia |
| Aspiração de traqueostomia ou vias aéreas | Não utiliza / Até 5 vezes ao dia / Mais de 5 vezes ao dia |
| Ventilação mecânica contínua, invasiva ou não invasiva | Não utiliza / Até 12 horas por dia / Por mais de 12 horas por dia |
| Medicação parenteral ou hipodermóclise | Não utiliza / Até 4 vezes ao dia / Mais de 4 vezes ao dia |
A regra de leitura do Grupo 2 está registrada no próprio formulário: para indicação do Planejamento de Atenção Domiciliar, considera-se a maior complexidade assinalada, ainda que assinalada uma única vez.
Critérios de apoio
Dez domínios pontuados, que compõem a soma utilizada na classificação do paciente:
| Domínio | 0 ponto | 1 ponto | 2 pontos | 3 pontos |
|---|---|---|---|---|
| Estado Nutricional | Eutrófico | Sobrepeso ou emagrecido | Obeso ou desnutrido | |
| Alimentação ou medicações por via enteral | Sem auxílio | Assistida | Gastrostomia ou jejunostomia | Por SNG ou SNE |
| Katz (pontuar 2 em pediatria) | Independente | Dependente parcial | Dependente total | |
| Internações no último ano | 0 a 1 internação | 2 a 3 internações | Acima de 3 internações | |
| Aspirações de vias aéreas superiores | Ausente | Até 5 vezes ao dia | Mais de 5 vezes ao dia | |
| Lesões | Nenhuma ou lesão única com curativo simples | Múltiplas lesões com curativo simples ou lesão única complexa | Múltiplas lesões com curativos complexos | |
| Medicações | Via enteral | Intramuscular ou subcutânea | Intravenosa até 4 vezes ao dia ou hipodermóclise | |
| Exercícios ventilatórios | Ausente | Intermitente | ||
| Uso de oxigenoterapia | Ausente | Intermitente | Contínuo | |
| Nível de consciência | Alerta | Confuso ou desorientado | Comatoso |
Classificação do paciente
| Pontuação | Recomendação |
|---|---|
| Até 5 pontos | Sem indicação de internação domiciliar. Considerar procedimentos pontuais exclusivos ou outros programas, como curativos ou medicações parenterais. |
| De 6 a 11 pontos | Considerar atendimento domiciliar multiprofissional, incluindo procedimentos pontuais, desde que não exclusivos. |
| De 12 a 17 pontos | Considerar internação domiciliar de 12 horas. |
| 18 ou mais pontos | Considerar internação domiciliar de 24 horas. |
Independência para as atividades básicas da vida diária
O NEAD incorpora o índice de Katz, instrumento internacional de avaliação da independência para as atividades básicas da vida diária. São avaliadas seis atividades, com 1 ponto para independência e 0 ponto para dependência em cada uma:
O formulário apresenta a classificação correspondente: de 5 a 6 pontos indica paciente independente, e de 3 a 4 pontos indica dependência parcial.
Plano de Atendimento Domiciliar
A última parte do NEAD converte a avaliação em plano de cuidados. O formulário disponível no +Vidas apresenta a padronização NEAD com a composição de equipe recomendada:
| Item do plano | O que é registrado |
|---|---|
| Técnico de enfermagem | Técnico 24 horas, Técnico 12 horas, Técnico 6 horas ou Técnico pontual. |
| Médico, Nutricionista, Enfermeiro, Psicologia, Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia e Acompanhamento Social | Para cada especialidade: indicação de sim ou não, quantidade de atendimentos e periodicidade mensal ou semanal. |
| Descrição das lesões de pele | Registro de até seis lesões, com região, estágio, dimensão e grau, além da localização e observações. |
| Equipamentos necessários | Mobiliário, ventilação, monitorização e apoio, e suporte. |
| Planejamento terapêutico | Data, assinatura e carimbo do profissional responsável, e observações. |
ABEMID e NEAD lado a lado
Os dois instrumentos não competem entre si. Eles respondem a perguntas diferentes e, em muitas operadoras, são exigidos em conjunto.
| Aspecto | ABEMID | NEAD |
|---|---|---|
| Pergunta central | Qual é o nível de complexidade assistencial deste paciente? | Este paciente é elegível para o domicílio e qual plano de atendimento ele exige? |
| Estrutura | Oito domínios clínicos pontuados. | Três grupos de critérios, mais Katz e plano de atendimento. |
| Avalia elegibilidade do domicílio | Não. | Sim, no Grupo 1, incluindo cuidador e segurança do domicílio. |
| Resultado | Não elegível, baixa, média ou alta complexidade. | Sem indicação, atendimento multiprofissional, internação domiciliar de 12 horas ou de 24 horas. |
| Regra especial | Migração automática por scores 5. | Prevalece a maior complexidade assinalada no Grupo 2. |
| Define composição de equipe | Não diretamente. | Sim, no Plano de Atendimento Domiciliar. |
Na prática, a ABEMID costuma ser o instrumento de classificação e de precificação, e o NEAD o instrumento de planejamento assistencial. Aplique o instrumento exigido pela operadora contratante e, quando não houver exigência formal, aplique os dois, porque cada um documenta uma dimensão distinta do caso.
O que a sua empresa ganha com a avaliação dentro do sistema
Pontuação automática
No construtor de formulários, cada opção de resposta recebe o seu peso em pontos, e o formulário pode ser configurado para calcular a pontuação somando os pesos das opções marcadas. Com isso, o escore deixa de ser somado à mão, o que elimina a fonte mais comum de erro na aplicação desses instrumentos.
Situação, aprovação e recusa
O formulário registrado não é um documento passivo. A tela de visualização apresenta as ações Relatório, Aprovar, Recusar e Editar, o que permite que a coordenação ou a auditoria interna valide a avaliação antes que ela seja utilizada em um orçamento ou enviada à operadora. O sistema mantém também o cadastro de Motivos de Recusa de Formulário, de modo que a devolução ao profissional seja registrada com justificativa.
Uma avaliação mal preenchida gera um pedido mal fundamentado. O fluxo de aprovação evita que uma ABEMID com domínio esquecido ou um NEAD sem o Grupo 1 respondido siga para a operadora e volte como negativa ou como glosa.
Versão do formulário e rastreabilidade
Cada formulário possui uma versão publicada. Alterações feitas no construtor viram rascunho, e quem preenche continua vendo a versão publicada até que a nova seja publicada. O registro do paciente guarda a versão utilizada no momento do preenchimento, o que garante que uma avaliação feita hoje continue legível e defensável mesmo depois de o formulário ser revisado.
Histórico de preenchimentos
Cada formulário possui a visão Histórico de Preenchimentos, que relaciona todos os pacientes avaliados com aquele instrumento, a data, o profissional, a situação, a origem e a pontuação. É a partir dessa tela que a coordenação acompanha a cobertura das avaliações na carteira e identifica quem está sem reavaliação.
O relatório em PDF, que é a peça que vai para a operadora
Na listagem do prontuário, a ação Relatório gera o documento em PDF. É esse o arquivo enviado à operadora, anexado ao orçamento ou apresentado em auditoria. O relatório reúne, em uma única peça documental, a identificação completa do paciente, o convênio, o diagnóstico, todos os domínios do instrumento com a respectiva marcação, o quadro de classificação com as regras de migração, o escore obtido e a identificação do profissional responsável com o número de registro no conselho. Ele sai com a identidade visual da sua empresa.


Esse é o arquivo que acompanha o orçamento, o pedido de prorrogação e o aditivo. Ele reúne, em uma única peça, a evidência clínica, o critério técnico, o escore, os equipamentos indicados e a responsabilidade profissional identificada pelo registro no conselho. É o que transforma uma solicitação de horas em um pedido tecnicamente fundamentado.
A ligação com o campo Complexidade do cadastro
O cadastro do paciente possui, no bloco Dados para Atendimento, o campo Complexidade, com as opções mantidas pela sua empresa, e o campo Programa Atendimento. Esses campos são a síntese consultável da classificação: eles alimentam a listagem de pacientes, os filtros e os relatórios gerenciais. O formulário ABEMID ou NEAD é a evidência técnica que sustenta o valor registrado nesses campos.
Sempre que uma nova avaliação alterar a classificação do paciente, o campo Complexidade do cadastro deve ser atualizado na mesma ocasião. Um paciente cujo formulário indica alta complexidade e cujo cadastro permanece em complexidade média produz relatórios gerenciais que não correspondem à realidade assistencial nem à realidade financeira da carteira.
Quando aplicar as avaliações
A avaliação de complexidade não é um documento de consulta, preenchido uma vez na entrada do paciente e esquecido no prontuário. Ela é um instrumento de gestão do ciclo de vida do caso.

Na admissão
A avaliação de admissão cumpre três funções simultâneas: confirma a elegibilidade do paciente e do domicílio, define o nível de complexidade e fundamenta o plano de cuidados que será convertido em orçamento e contrato.
Sem essa avaliação, o orçamento é montado sobre uma percepção, e não sobre um critério. É nesse ponto que a maior parte das glosas e das negativas de autorização tem origem.
Nas reavaliações periódicas
O paciente em atenção domiciliar muda. Uma lesão por pressão cicatriza, uma traqueostomia é decanulada, um paciente estável descompensa. A reavaliação periódica existe para capturar essa mudança e ajustar o cuidado antes que o desajuste vire problema.
A periodicidade deve seguir, em primeiro lugar, o que estiver definido no contrato com a operadora ou no regulamento do programa de atenção domiciliar do contratante. Muitos programas trabalham com ciclos de autorização de até noventa dias, prorrogáveis mediante apresentação de novo relatório. Na ausência de definição contratual, a sua empresa deve estabelecer a própria periodicidade em protocolo interno e cumpri-la.
| Momento | Objetivo da avaliação |
|---|---|
| Admissão | Confirmar elegibilidade, classificar a complexidade e fundamentar o plano de cuidados inicial. |
| Reavaliação periódica | Verificar se a complexidade se manteve, aumentou ou reduziu, e ajustar o plano de cuidados. |
| Mudança relevante do quadro clínico | Documentar a alteração que justifica aumento ou redução de horas e de serviços. |
| Retorno de internação hospitalar | Reclassificar o paciente, que frequentemente retorna em nível de complexidade diferente. |
| Prorrogação ou aditivo | Sustentar tecnicamente a continuidade ou a ampliação do atendimento perante a operadora. |
Na prorrogação e no aditivo, onde o impacto financeiro é direto
Quando a sua empresa solicita a prorrogação do atendimento ou um aditivo ao contrato, a avaliação atualizada é o documento que sustenta o pedido. Ela demonstra, com pontuação e critério técnico, que o paciente continua exigindo o nível de cuidado contratado, ou que passou a exigir um nível superior.
A avaliação desatualizada enfraquece a sua posição em duas frentes. Diante da operadora, o pedido de prorrogação sem evidência atual é facilmente negado ou reduzido. Diante de uma auditoria retroativa, a ausência de reavaliação no período é o argumento usado para glosar atendimentos já executados e já pagos aos profissionais.
O ciclo completo da avaliação de complexidade
A avaliação de complexidade atua em quatro dimensões ao mesmo tempo
AssistencialGarante que o paciente receba a quantidade e a qualificação de profissional compatíveis com o quadro. Classificar abaixo do real é risco de segurança. Classificar acima consome recurso que faltará em outro caso.
Contratual e financeiraA pontuação é o argumento técnico da negociação. É a diferença entre pedir doze horas de técnico e demonstrar, com instrumento reconhecido pelo mercado, que o paciente se enquadra na faixa que indica doze horas.
Jurídica e de auditoriaO prontuário é prova documental. A avaliação preenchida, assinada, datada e rastreável demonstra que a conduta seguiu critério técnico. A ausência dela deixa a empresa sem defesa, mesmo quando o cuidado prestado foi correto.
De gestãoCom as avaliações registradas, a empresa enxerga a carteira por complexidade, acompanha a evolução dos pacientes e identifica padrões, como pacientes que aumentam de complexidade sem aumento correspondente de receita.
A avaliação de complexidade é, ao mesmo tempo, o instrumento que protege o paciente, o documento que sustenta a receita e a prova que defende a empresa. Nenhuma dessas três funções é cumprida por uma avaliação desatualizada, incompleta ou arquivada fora do prontuário.
Erros que custam caro, e o que fazer no lugar
| Erro comum | Consequência | Prática recomendada |
|---|---|---|
| Avaliar apenas na admissão e nunca mais | Prorrogação negada e glosa retroativa por ausência de evidência atual. | Definir periodicidade em protocolo interno e acompanhar o cumprimento pelo Histórico de Preenchimentos. |
| Preencher em papel e transcrever depois | Perda de informação, atraso e divergência entre o papel e o sistema. | Preencher pelo +Vidas Care no domicílio, com registro imediato no prontuário. |
| Desconhecer as regras de migração da ABEMID | Paciente classificado abaixo do nível real e horas perdidas na negociação. | Treinar os avaliadores nas duas regras de migração por score 5. |
| Deixar o Grupo 1 do NEAD em branco | Admissão de paciente em domicílio inadequado ou sem cuidador, com risco assistencial e jurídico. | Tratar o Grupo 1 como condição de admissão, com registro formal da resposta. |
| Campo Complexidade do cadastro divergente da avaliação | Relatórios gerenciais e filtros que não refletem a carteira real. | Atualizar o cadastro na mesma ocasião em que a avaliação é validada. |
| Avaliação não validada pela coordenação | Pedido mal fundamentado enviado à operadora. | Usar o fluxo de aprovação e recusa, com motivo registrado. |
Referências
- Manual de Atenção Domiciliar, publicado pela Associação Nacional de Hospitais Privados em conjunto com o Núcleo Nacional das Empresas de Serviços de Atenção Domiciliar.
- Tabela de Avaliação de Complexidade Assistencial ABEMID e Tabela de Avaliação para Planejamento de Atenção Domiciliar NEAD, conforme anexos publicados por programas de atenção domiciliar e por órgãos públicos, entre eles o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios e o Senado Federal.
- Parecer Técnico nº 05/2021 da Agência Nacional de Saúde Suplementar, sobre atenção domiciliar na saúde suplementar.
- Base de Conhecimento Hope Solution: artigos Avaliações e Formulários Personalizados.
- Formulários Avaliação Abemid e NEAD publicados na base de demonstração do +Vidas, versão 5.5.0.
Quer ver ABEMID e NEAD sendo preenchidos no domicílio e caindo no prontuário?
Mostramos, em uma demonstração conduzida pela nossa equipe, o formulário sendo preenchido no aplicativo, a pontuação calculada pelo sistema, a validação pela coordenação e o relatório em PDF pronto para ir à operadora, com a identidade visual da sua empresa.
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